A chuva

Publié le par saturne

No fim da chuva,
ficam os olhos ausentes na memória dos dias felizes.
O sabor amargo da solidão na boca.
O odor enjoativo do corpo desamado.
No fim da chuva,
ficam as lágrimas, ténues, cansadas, que teimam
em escapar-se contra a minha vontade.
A penumbra do quarto desarrumado.
No fim da chuva,
fica a lassidão do abandono. Os copos de whisky,
sujos, acumulados, espalhados pelos móveis.
O pó que desfigura as fotografias.
No fim da chuva,
fica a podridão dos restos de comida,
os pratos sujos esquecidos no lava-loica.
A alma vazia, podre, dorida.
O sol brilha, no fim da chuva.
As crianças lançam papagaios,
as praias enchem-se de corpos bronzeados.
Os risos aumentam de tom com a leveza
dos corpos despidos de roupa.
No fim da chuva,
a felicidade brilha nas ruas da cidade,
no rosto das raparigas de mini-saia,
nas esplanadas regadas por líquidos cobre.
No fim da chuva,
fica o inverno.
Apenas em mim.
Publicité

Publié dans sobraldesaomiguel

Pour être informé des derniers articles, inscrivez vous :
Commenter cet article
S
Faz parzer de encontrar fotos da nossa regiao!Se tens mais fotos nao ésites a postar!Bonne continuation...
Répondre